se afogou em números/da boca escorria uma parte do rg/expeliu as senhas somente depois que o socorro chegou/subtraindo, dividindo e apagando/aplicando equações, descobrindo pis/pasep/cpf, agência, conta, inscrição/telefones de casa, do escritório/celular do chofer e da amante.../aí armou-se o banzé/e a mulher gritou no pé do ouvido do marido/o número de série do revólver que estava na gaveta
forasteiro arrombou a porta invadiu a letra da canção estragou meu argumento desestruturou meu fim a donzela que estava prometida para o refrão foi deflorada logo na primeira estrofe passou a fumar soprou fumaça na minha cara exclamou: "fui maltratada e confesso que gostei! leve-me para o refrão com outros três!"
fascinante aberração cortejo de horrores a letra da canção desgovernada grande show de atrações um circo monstruoso a letra da canção desgovernada
bandoleiro fortemente armado educado, veio conversar convidou-me para um tiro disse me admirar mas pediu com gentileza que a letra da canção priorizasse moda e amenidades passei a fumar tomei cachaça da mais barata praguejei contra a cascata do letrista popular que conduz a criação sem padecer
fascinante aberração cortejo de horrores a letra da canção desgovernada grande show de atrações um circo monstruoso a letra da canção desgovernada
bolo no forno/tem folha de sonhos/aluguei 2001/comprei colchonetes/equipei o som/dentro do mundo/país, cidade/bairro, prédio, sala e tela/cabeça no espaço/que a moldura (não?) enquadrou/caixa-crânio sem xyz/fim do alfabeto/contranada em mim
Estou fissurado nesse clássico da música popular brasileira aí embaixo. Benito di Paula, nascido Uday Veloso (isso mesmo, Uday), fez a letra como se estivesse recebendo Charlie Brown (isso mesmo, o personagem) em terras brasileiras, apresentando as coisas boas da terrinha.
Apesar da menção aos urubus, a música é sensacional.
Veja de onde veio a inspiração.
"Fiz a música na época em que eu morava em uma pensão de italianos, e eles liam a revistinha em quadrinho e riam à beca. Um dia, pedi para traduzirem para mim, eles traduziram e aquilo me deu a idéia de montar uma história como se o Charlie Brown estivesse chegando no Brasil e eu tivesse que apresentar o país a ele." Fonte: Gazeta Online
Hampstead Heath é meu parque londrino preferido. Grande, trilhas e trilhas no meio da mata, bela vista da cidade no Parliament Hill, piquenique no gramado da Kenwood House nos fins de semana, natureza selvagem, lagos para banho, bancos de madeira em homenagem aos que já partiram e ali curtiam a vida, molecada brincando, shows, coelhos, esquilos, enfim, paisagem espetacular e opções para quem quer zoeira ou tranquilidade.
Outro dia bateu aqui na porta um carinha de igreja evangélica. Perguntou se eu queria viver num lugar como o que aparece no folheto.
- Claro, todo mundo gostaria - respondi. - Então entra para nossa igreja.
Eu quase respondi a ele que não precisava, era só ir a Hampstead. Tá vind para Londres? Pegue a Northern Line e dê um pulo lá.
=data crônica= conglomerado americano de entretenimento (felipe schuery)
grandes corporações são poucas/cada vez menos, cada vez maiores/a farmácia ali da esquina foi comprada/pela empresa de tecidos lá da china/e ela faz parte/de um conglomerado americano de entretenimento/o jornal esconde/que os remédios estão podres/o jornal esconde/os escravos tecelões/o jornal esconde/que as ordens vêm de longe/o jornal esconde, o jornal esconde (what about these news?)/supergigantemegamaxiultra/hiper turnês com produção de deus/o estádio centenário foi abaixo/pra que fosse construída a igreja pop/ e ela faz parte/de um conglomerado americano de entretenimento/o jornal esconde/que calaram gente a bala/o jornal esconde/a propina do pastor/o jornal esconde/que as ordens vêm de longe/o jornal esconde, o jornal esconde (what about these news?)
Último =almoço de terça= direto de Londres. Como é tempo de mudança, tentamos acabar com tudo o que está nos armários e na geladeira, então a receita foi o acaso. De novo, obra da visita da vez, minha mãe.
disseram que é bom partir/eu li que é melhor ficar/o telejornal diz que basta voar/tarólogos estão em dúvida/tem site que desmente tudo/índios, com fumaça, mostram como é fácil/quem mais pode me socorrer?/quem vou escutar, visto que são tantos?
Antes de vir para Londres, minha mãe perguntou se queríamos algo do Brasil. Eu não quis nada. Como o =data crônica= já registrou, aqui é possível achar produtos brasileiros fácil, fácil.
Como mãe é mãe, paca é paca, fomos presenteados com algo impossível de se conseguir nessas bandas: cocada do Adão. Se você já foi a Cabo Frio e não comeu a cocada do Adão, volte e procure a barraquinha que fica em frente à Drogaria do Povo, na praça Porto Rocha. Tem cocada da preta, da amarela e da branca. Chocolate, leite condensado e coco. Há anos o Adão bate ponto lá. A cocada dele é daqueles doces que acionam a gula sem piedade.
Para brindar o momento inesperado e inesquecível de comer a cocada do Adão muito longe de casa, levamos os quitutes para um rolé por pontos turísticos. Esbarramos algumas vezes com o anão de jardim de O fabuloso destino de Amélie Poulain.
O primeiro atraso da história do =almoço de terça= tem a seguinte explicação: Londres continuará no mapa, mas vai ficando na memória; a partir de agosto o =data crônica= postará de Tours, coração do Vale do Loire, na França. Na terça que passou, estávamos lá preparando a papelada. O almoço rolou e foi fotografado, mas não tínhamos internet.
Ainda mais especial que o primeiro da série direto do Vale do Loire é o fato de ter sido preparado com a ajuda da minha mãe, nossa visita da vez. Ó que beleza! F-A-R-O-F-A (ela trouxe a farinha do Brasil)!
- farofa com ovo - salada com queijo emental ralado - bife de frango com molho de manjericão, manteiga e mostarda forte de Dijon - pão - vinho (o Beaujolais mais barato do mercado já é gostoso)
Ontem, na Pure Groove, Au Revoir Simone. Trio de Nova York, só mulheres, só teclado e percussão. As três cantam e cantam bem. David Lynch declarou recentemente via Twitter que se amarra.
As moças erram muito, param música no meio e começam de novo, se confundem na entrada de um ou outro vocal e... conquistam o público com sua música tosca. Charme e carisma são para poucos, música qualquer um faz.
Esqueci de coisa importante: decidi ir ao show depois de ler em alguns blogs daqui sobre o Au Revoir Simone. Eis que ao mesmo tempo recebo um email do Brasil, de uma francesa, também indicando o show. Tornou-se, pois, obrigatória minha ida. Tomei o rumo da Pure Groove pensando em reportar para minha amiga brasileira-francesa o que as moças de Nova York faziam em cima de um palco. Taí, Julie, elas são toscas mas são cult. Obrigado pela dica!