21.4.09

=almoço de terça=

Com as sobras, a cozinha maravilhosa hoje ofereceu dois pratos.

1.
- macarrão
- azeitonas
- mozzarella de búfala
- molho de tomate

2.
- arroz
- strogonoff
- ovo cozido

=novo álbum do Pixies?=

O boato começou ontem na internet. O Artist in Residence, coletivo de design especializado em edições luxuosas (já fizeram para Beck, Nine Inch Nails e Sigur Rós), colocou a imagem abaixo no site e disparou o alarme. Pode ser uma caixa especial, um disco ao vivo em edição limitada, simplesmente um boato. Pela entrevista que a Kim Deal deu para a Pitchfork há uma semana, nada de entrar em estúdio com o Pixies de novo.

Pitchfork: Still no plans to record with the Pixies or anything?
Kim: Negative.


Esperemos.



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(atualização)

Será uma caixa com todos os discos de estúdio, material gráfico caprichado e talvez faixas bônus - ainda não está confirmado. Mais aqui e acolá.

17.4.09

=o suíngue do branquelo=

Passei batido pelo Kings of Convenience no Tim Festival de 2005. Não conhecia, não procurei conhecer, rolou o show e um abraço. Ano passado Chico gravou um CD-R deles para mim. Ouvi, gostei muito e virou trilha para viagens. Era entrar no carro e colocar para tocar. Sonzinho tranquilinho, aquela calmaria, passa a marcha, relaxa, joga a seta e acelera.

Minha faixa preferida é a mais dançante do CD-R, "I'd rather dance with you". Dá uma olhada na pinta e no suíngue do Erlend Oye, vocalista da banda.



Todo esse molejo do ruivo também está no palco do Whitest Boy Alive, projeto com base em Berlim que tinha a intenção de fazer dance eletrônico mas acabou sem nenhuma programação. É dançante mas orgânico. Bateria, baixo, piano Rhodes, guitarra e a ótima voz do norueguês com cara de nerd. O que eu mais gostei no Kings of Convenience eu encontro numa outra banda.

Agora há pouco, na Rough Trade East, eles fizeram um show de meia-hora. Som gostoso, leve, desce macio e contagia. Registrei "Intentions", segunda faixa do segundo CD, Rules. Baixe este e Dreams, o primeiro.

=amanhã, record store day=




18 de abril, lojas de música independentes ao redor do mundo se juntam a artistas para celebrar o papel desses oásis no cada vez mais deserto mercado tradicional da música. É o Record Store Day, com edições especiais em vinil, fita cassete, CD e seja lá o que for de gente como Radiohead, The Breeders, Graham Coxon e uma lista gigantesca daqueles que prezam por um espaço com gente capacitada, por um ponto de encontro e confraternização dos amantes de música, por prateleiras que carregam canções, seja lá em que mídia. O número de lojas como essas só diminui com o passar dos anos, e a tendência aponta para a extinção. Com isso em mente, todas elas apostam na valorização de seus espaços para produzir shows especiais, criar clubes de audição musical, promover palestras e - sim - continuar vendendo discos. Aficcionados existem.

Se o credit crunch deixar, continuarão sendo centros culturais para os amantes da música.

Ficarei entre a Rough Trade East e a Pure Groove.

15.4.09

=praias brazucas para inglês ver=



Sua praia predileta está no top 10 de praias brasileiras do Guardian?

A frase de abertura da matéria:

"The Brazilian equivalent of the British expression 'Just my cup of tea' is 'é minha praia' ('That's my beach'), which tells you all you need to know about the two countries' relative cultural values."

=violência policial durante o G-20=

Lembram que eu falei que a polícia encurralou, com cassetetes e grosseria, os manifestantes do G-20 na praça em frente ao Banco da Inglaterra? Os vídeos vão surgindo e os policiais sendo suspensos. Nesse aí abaixo, Ian Tomlinson, que não participava do protesto, é empurrado por trás. Morreu pouco depois.



Tapa na cara de mulher, homem levantado pela gola, cacetada nos joelhos... e assim fizeram o cerco na praça.




Me parece claro, pelo que vi e pelo que as imagens mostram, que não foram dois policiais mais exaltados, mas sim toda a polícia orientada para agir desta forma. Suspender um ou dois é abafar o caso.

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(atualização)

Já estão investigando e revendo a tática da polícia.

14.4.09

=almoço de terça=



- arroz
- carne moída com tomate, pimentão amarelo, cebola e queijo (Wensleydale)
- doritos
- suco de laranja

Um mexicano paraguaio na Inglaterra, voilá.

13.4.09

=data crônica no Globo=

"cem/sem", do "data crônica", foi Música da Semana na coluna de João Paulo Cuenca (Megazine, O Globo, 7.4.09). Minha irmã mandou a imagem, olha aí.



Ouça "cem/sem" aqui. Leia a coluna inteira acolá.

11.4.09

=sexta-feira da paixão=

Chego em Vauxhall de metrô e queimo a cuca para achar a Kennington Lane. Está escuro e frio. A olhada que dei no Google Street View facilita a identificação de algumas construções e uma caminhada curta me leva à igreja de St. Peter. A porta está entreaberta. Entro e a recepção é generosa: apesar da lotação e dos minutos de atraso (já havia começado), logo me arrumam uma cadeira e o libreto com o programa da noite. The Passion of our Lord Jesus Christ according to Saint John (1724), Johann Sebastian Bach.



No século 18, tornou-se tradição na Alemanha a representação da Paixão de Cristo dentro da igreja na Sexta-feira Santa - orquestra, coro e solistas, além do sermão. Como mostra o título de Bach, a narrativa é baseada no evangelho de João, mas algumas poucas passagens tem Mateus como fonte: Jesus prevendo a negação de Pedro, o rasgar das cortinas do templo e o terremoto após a morte de Jesus.



É tudo cantado em alemão, e o libreto traz as letras originais e a tradução para o inglês. Os fonemas robustos reverberam no pé-direito gigantesco da igreja e as melodias elevam ainda mais o drama dos últimos momentos de Cristo. Alguém puxa a cadeira vazia ao meu lado e senta com estardalhaço. Vem a catinga de bebum e prevejo a negação do silêncio. É batata:

- Ó, Maria! - grita o homem de seus lá 45 anos.

Murmurinho na assembléia. Um senhor pede que o desordeiro se aquiete. A reação é inacreditável: o cara se joga no corredor central e fica estatelado no chão. Jesus bebe o vinho azedo e a melodia cresce: "Está consumado!" O que fazer para que o corpo do bêbado não permaneça naquele lugar especialmente sagrado? Quebrar suas pernas? Dois sensatos, cada um de um lado, preferem levantar o corpo e levá-lo embora.

Nenhum dos seus ossos será quebrado.

9.4.09

=brasileiro no estrangeiro=

No voo, quando vim, fiquei assistindo às animações do Nick Park. Eram da série "Creature Comforts", depoimentos hilários de animais sobre suas condições de vida num zoológico. O filme original é de 1989 e rendeu o primeiro dos quatro Oscars que o autor ganhou. "A fuga das galinhas" deve ser seu trabalho mais famoso no Brasil, não?

Enfim, é muito bom. Esse aqui é especial: um brasileiro no estrangeiro. Num documentário de 2006 (episódio de The South Bank Show), Park conta que o bichano foi baseado num estudante brazuca que ele conheceu e morava num pequeno flat em Bristol. Sente o sotaque.

8.4.09

=estações=



Passei 30 anos acompanhando mudança de estação por data. Que dia começa o verão? 21 de dezembro. Estamos no outono? Acabou em 21 de junho. E foi assim durante o tempo em que morei no Brasil. Nunca tive a sensibilidade de reconhecer um céu de outono ou uma cidade mais florida, como a maioria tem e curte (eu invejava isso, verbo no passado). O problema poderia ser meu se eu não estivesse agora embasbacado pela chegada da primavera aqui em Londres. Eu ainda não faço idéia das datas de início e de fim do inverno, da primavera ou seja lá qual for. Mas aconteceu o seguinte:

Em janeiro cheguei numa cidade fria, escura, de galhos pelados e sem cor. No caminho diário pelas ruas, árvores secas e céu denso. Os dois dias de nevasca trouxeram alívio momentâneo: apesar de frio, o clima era de aloprados com ski na rua, boneco e guerra de neve, turma do tombo solidário. A cidade coberta de branco fica sensacional. Mas derreteu, babou. Sombrio de novo.



A segunda quinzena de março trouxe céu azul e meu caminho árido foi curiosamente tomado por pequenos pontos, milhares deles. Eu, sensibilidade zero, percebi. Aos poucos o que era só grama ganhou pequenas flores, os galhos pelados cobriram suas vergonhas com brotos. Fez-se a cor. As cores. As flores. ("Opa, sai poesia! Sai!", "Mas por que, diabrete?", "Cala-te, roscofe de auréola!"... Sigamos.)



Estamos no horário de verão. O que muitos tacham de cidade cinza e chuvosa hoje está colorida e ensolarada (ok, ok, confesso estar curtindo um sol de 16°C). A primavera se espreguiçando em Londres é um espetáculo. Bonito pacas. Aos 30 anos presenciei pela primeira vez uma verdadeira mudança de estação. Mesmo o macho mais machista e orgulhoso de sua macheza sairia afetado (opa!) dessa. Flores!

Todas as fotos foram tiradas pelo casal aqui.


7.4.09

=almoço de terça=

Hoje divido os créditos com minha pequena:



- fusilli
- salada (alface, repolho roxo e cenoura)
- presunto
- queijo (coloured Cheshire)
- molho (sal, pimenta do reino, azeite, vinagre balsâmico, manjericão, alho - tudo batido)
- suco de caixinha sabor "exotic" (maçã, tangerina, banana, damasco, goiaba, mamão, maracujá, manga, limão, laranja e abacaxi)

6.4.09

=run dmc, inimigos do rei e xuxa=

No sábado, o Run DMC entrou para o Rock and Roll Hall of Fame. Lembrei das festas na Jaceguai e na Tamandaré: não tinha erro, Run DMC era pista cheia. Clássico.

Dessa aqui a Xuxa tirou o início de "Hey, Mickey!":





E essa os Inimigos do Rei transformaram em "Adelaide" e...



...foram na Xuxa:

=novo do Belle & Sebastian?=

Anunciado como disco solo de Stuart Murdoch, vocalista do Belle & Sebastian, God Help the Girl apresenta vocalistas que ele pinçou depois de publicar um "procura-se cantoras" no imeem.com, rede social com foco em música, fotografia e vídeos. São composições dele, tocam os músicos da banda, e melodias e arranjos parecem ir pelo caminho já traçado com o grupo - é o que dá para sentir no vídeo abaixo. Se és fã do Belle & Sebastian, vai nessa:

1.4.09

Kate Nash e a manifestação em Londres

Ouça mais uma vez (ou conheça) a Kate Nash, 21 anos:



Pois bem, o pau quebrou hoje no centrão de Londres e ela estava lá. Depois de uma canja na loja Pure Groove (também tocaram Natty, Billy Bragg e Get Cape. Wear Cape. Fly), a moça tomou o rumo do Banco da Inglaterra e foi uma das milhares de pessoas que ficaram cercadas pela polícia durante mais de 3 horas na praça em frente ao banco. Com cassetetes e grosseria, os policiais fizeram cordões de isolamento em cada rua que desemboca ali: ninguém mais entrava, ninguém mais saía. Fiquei numa fome braba até 16h, só com o leite do café-da-manhã. A agonia de ficar preso naquele espaço esquentou ainda mais a chapa que já soltava fumaça desde o Put People First, no fim de semana. Tem um resumo aqui:



A seção paparazzi do =data crônica= registrou a Kate Nash ao lado do Natty:



E também desenhando corações no muro do Banco da Inglaterra. Mas não se engane com a doçura, o "Fuck the BNP!" (British National Party, partido de ultradireita daqui) também é dela.



Para quem acha que tudo girou em torno de vidraças quebradas e violência, três fotos e um vídeo feitos pelo =data crônica=: