27.9.11

=lasciva lula para download=

Para baixar Lasciva Lula. 
Lasciva Lula V (2008)


Assim que decidiram pelo fim da banda, em novembro de 2007, os quatro integrantes do Lasciva Lula firmaram um pacto: gravar e disponibilizar na internet as músicas inéditas que tinham naquele momento. Quase um ano depois, "Vontade de beijar Caetano", "Entre gêmeos e leão", "O mistério da moça" e "Carta ao Cals" - além de "Família feliz", sobra de estúdio do disco "Sublime mundo crânio" - foram lançadas sob o nome "V". "Ode ao Mortadelo e Salaminho", versão da música do Zumbi do Mato, entra como extra.


Sublime Mundo Crânio (2007)


"Produzido pela própria banda e mixado por Iuri Freiberger (Walverdes, MQN e Violins, entre outros) 'Sublime Mundo Crânio' é mais um exemplo de inteligência no rock nacional fora do mainstream. Um disco para se ouvir, ouvir e ouvir." - Marcelo Costa (Scream & Yell)

Óleo de Saliva (2003)


Download

O EP intercala berros e melodias suaves. Referências à Lewis Carrol, Woody Allen e Häagen Dazs. – “Lasciva Lula é rara especiaria, uma banda diferenciada pela invenção e potência.” – Chacal, poeta e produtor cultural


1a Edição (2002)



Com seis músicas encadeadas tematicamente, descrevendo as fases de um relacionamento, “1a Edição” teve a primeira tiragem esgotada.– "Um dos melhores EPs do ‘novo’ pop brasileiro, '1a Edição' sai com seis faixas inspiradas, inundadas de revisionismo, sem nenhum sampler, nem blings nem blongs: é som divertido e com veia psicodélica assumida." — Roberto Pedretti (Revista Backstage)


Lasciva Lula (primeira demo - 2000)



Criada em novembro de 1998, em Cabo Frio-RJ, a Lasciva Lula lançou seu primeiro trabalho em abril de 2000. “Lasciva Lula”, EP com 4 músicas, contou com a produção do DJ e ex-baterista da Pelvs Dodô. – "Apesar da pegada pop (todas as músicas têm potencial radiofônico), há guitarras à Sonic Youth." — Fabiana Batistella (Bizz)


9.8.11

=língua do p=

Aprendi a língua do P com meu pai. Não era dialeto secreto para assuntos cabeludos. Pura diversão.
Para primos e amigos, meu pai era o "Tio" que falava a língua do P. Tipiopô Paupaulimplimnhopô.
Anos depois, eu curtia solitariamente, sob protesto e zombaria de meus irmãos, o Lupu Limplim Claplá Topô, infantil de Lucinha Lins e Claudio Tovar que passava na TV Manchete. Sonhava em participar da Cama de Gato, quadro em que a criança deveria passar por um corredor cruzado por elásticos com sininhos pendurados. Se esbarrasse num elástico, um abraço. Soou, perdeu.
Na minha cabeça, entender o título do programa era senha de seita secreta, diferencial entre a humanidade.



Só esta semana descobri "Língua do P", música e letra de Gilberto Gil gravadas por Gal no "Legal"(1970).



Gaparanpantopo quepe vopocêpê
Garanto que você
Nãpão vapai não vai
Nãpão vapai não vai
Compomprepeenpendeper
Bulhufas
Bulhufas
Dopo quepe tempentapamopos lhepe dipizeper
Não tem problema
Não tem problema

Espetapamopos pelaí
Não tem problema
Não tem problema
Espetapamopos espepeperanpandopo coisas pela aí

Smetak tak tak tak (tak tak tak tak tak)
Mariá bababa baba baba
Catuaba
Cachoeira
Vão me procurar na Lapa
Na gruta da Mangabeira
Quarta-feira de manhã
Quarta-feira de manhã

Pode ser simples curtição.
Pode ser que a língua do P fosse dialeto dos esotéricos que passavam a tarde a filosofar e captar as energias da gruta da Mangabeira.
Ou então uma provocação à censura: "Garanto que você não vai compreender bulhufas do que tentamos lhe dizer. Não tem problema. Estamos pela aí." E conclui com o anúncio da reunião dos revolucionários: Smetak (experimentando microtons na acústica da caverna?), Mariá, Catuaba e Cachoeira, sob a liderança ("vão me procurar") de Gilberto Gil (ou Gal - dependendo do ponto de vista). Será que pintou sujeira na Gruta da Mangabeira depois de "Língua do P"?
Pode ser.
Hoje, ótica particular, "Língua do P" simboliza a satisfação de perceber que os que se foram continuam vivos em seus ensinamentos. Mesmo nesses pequenos e prazerosos momentos de descoberta. Ou... principalmente nesses de pura diversão.
Vapaleupeu, Tipiopô Paupaulimplimnhopô!

4.8.11

=o curupira=



Lá no meio da floresta, entre as mais frondosas árvores, bem no centro, justo lá, longe longe muito longe de toda e qualquer cidade, mora o mais fiel vigia da sublime Mãe Natureza, o Curupira. O que vou lhes contar, confesso que nunca vi, mas conto o que conto direitinho como aconteceu. É o conto direitinho como aconteceu porque foi o que eu pequenininho ouvia do meu pai, que ouvia da minha avó, que aprendeu com meu bisavô, bem do jeitinho que lhe contou meu tataravô.

Meus amigos, ouçam bem: com espingarda e munição, muito homem covarde se acha valente como onça-pintada e mergulha na mata, haja luz ou escuridão. De posse de arma de fogo, acredita-se rei da selva, crê-se mais feroz que jacaré-açu, mais veloz que suçuarana, mais cruel que sucuri. O olho dele mira bicho de todos os portes, grande, médio, mesmo pequeno. A boca saliva à vista de cada pegada de rês. Os cheiros e sons são trombetas que anunciam o macio da carne da caça. O dedo que aperta o gatilho manda bala em pai, mãe e cria pelo gosto mais tolo de matar. E caçador que mata só por diversão, ahhh esse sofre na mão do Curupira.

O Curupira é o guardião das matas, o protetor dos animais, o defensor dos povos da floresta.

Tem pele morena e olhos de fogo, cabeleira cor de brasa e altura de um curuminzinho. E, acreditem, os dois pés são virados para trás. Ele anda pra frente, mas com os pés para trás! Sim, o povo jura, é verdade dada como vista e vivida: seus calcanhares apontam diretinho para frente. E é assim que ele deixa pegadas que confundem os caçadores perversos. Quem segue nos passos dele, tem o Curupira sempre ao encalço para azucrinar o juízo com o assovio mais estridente já ouvido desde que nossa Terra é Terra. Um assovio alto e fino. Mais alto e mais fino que silvo de apito de prata. Caçador que encontra o Curupira, das duas uma: ou foge da mata em disparada ou fica perdido para sempre lá no meio da floresta, entre as mais frondosas árvores, bem no centro, justo lá, longe longe muito longe de toda e qualquer cidade.

Querem provas? Ouçam só: era já boca da noite quando Seu Tião, caçador lá da Amazônia, se embrenhou na mata para arrumar paca ou tatu para a janta. Cotia, Dona Dina não gostava. “Paca, tatu, cotia não”, dizia de si pra si e repetia seu Tião o caminho todo.

Seu Tião tomou rumo do caminho do Noçoquém, de espingarda e lampião na mão, para matar caça que por ventura aparecesse sob a fruteira, que é lá que bicho faminto procura alimento, come os frutos, mata a fome. Assim que chegou, vasculhou ao redor, reconheceu o terreno e certificou-se de que a trilha de volta era a mesma da vinda, por entre dois troncos de bases mais largas que a cinta de Dona Dina. Sentou-se numa pedra, cortou e amassou tabaco, preparou o cigarrinho e acendeu. Dava umas baforadas loooooooooongas, sentado, sereno, só pensando na caça ainda por vir. De modo que percebia, nem tão longe nem tão perto, na maior tranquilidade, tudo o que acontecia sob as copas carregadas de frutas.

Acostumado que estava, saboreava a espera. Ouvia a noite própria da mata: os trilos, pios e pipios do murutucu, o zum zum zum zum dos insetos, os cricris cricris do grilo, os - crec! - estalos dos – crec! - galhos... Estalos de galho?!? CREC?!? Olha lá uma cotia! Cotia, Dona Dina não gostava. Aparecer paca ou tatu era só questão de tempo.

Foi então, no cotoquinho do cigarro, que Seu Tião ouviu ruído de pisada em folha seca. Tacou a guimba acesa na capoeira, catou o lampião e juntou ao cano da arma para iluminar o alvo e ajustar a mira. Tchom! Tiro único e certeiro estalou bem nos cornos de um tatu. Tchom! Tchom! Chumbo grosso duas vezes para abater uma paca enorme. Tchom! Tchom! Puf!

Dos três tiros disparados para derrubar um veado, o terceiro, deus me livre, reluziu em vagalume. Bala que vira vagalume, vocês sabem, é magia. E magia no meio do mato é obra do Curupira.

As estrelas lá do céu da Amazônia são testemunha do clarão que se abriu no caminho do Noçoquém naquela noite. Clarão de dia aberto, clarão de meio-dia do mais pleno. Seu Tião avistou a cabeleira vermelha e tremeu. Sentiu-lhe descer goela abaixo o calor seco dos olhos de fogo e desbotou. Viu os pés às avessas e bateu os dentes que restavam, sete em cima, seis em baixo. Era quem, meus amigos? Era o Curupira.


O pequeno deus das florestas estava lá, montado num porco do mato, para punir o Seu Tião. A paca, o tatu e o veado, Curupira mostrou, eram muito mais que o bastante para Dona Dina preparar a janta. A capoeira, Curupira apontou, consumia-se em chamas com o fogo da guimba do cigarro que Seu Tião havia tacado. E caçador perverso, que mata só por diversão e que não respeita a floresta, ahhhh esse sofre na mão do Curupira.

Seu Tião, encharcado pelo suor frio do pavor, correu à procura da trilha de volta para casa. Esquadrinhou tudo tudinho e não encontrou nenhum dos dois troncos de bases mais largas que a cinta de Dona Dina. Coisa do Curupira. Seu Tião decidiu então fuzilar aquela aberração medonha, com tiro de espingarda e muita raiva para vencer o medo. Puf! Puf! Puf! A arma de fogo era agora fábrica de luz. Dali só saíam vagalumes. Em último ato de desespero, Seu Tião se largou de joelhos no chão e juntou as mãos a pedir perdão. Chorava e pedia desculpas, jurava para sempre se endireitar.

O pequeno deus guardião das matas, protetor dos animais e mais fiel vigia da Mãe Natureza fez um movimento chamativo com o braço direito. Orquestrados, todos os vagalumes envolveram a paca, o tatu, o veado e Seu Tião. Pelo poder da magia, Curupira fez surgir, no lugar do que antes havia ali, quatro pássaros imensos no meio dos vagalumes, pássaros gordos, com penas brilhantes de todas as cores. Com mais um movimento solene e mágico do braço direito do Curupira, a espingarda de Seu Tião foi amolecendo, amarelando, encourando, engordando, amaciando, crescendo, enrolando, crescendo mais, enrolando mais e mais e mais... Até que, quando se deu conta, já era uma jiboia. Feliz de não ser mais arma de fogo, a cobra agradeceu o Curupira com uma piscadela e rastejou mata adentro.

Naquela noite, Dona Dina esperou em vão. Preparou a janta com o que encontrou na dispensa e comeu sozinha na varanda de casa, incomodada com o canto triste e rouco, como quem ronca um lamento aflito, de um urutau que sobrevoava em círculos o terreno. Dona Dina, que não suportava bicho fora da panela, passou a madrugada arremessando pedras para calar o urutau.

Lá no meio da floresta, entre as mais frondosas árvores, bem no centro, justo lá, longe longe muito longe de toda e qualquer cidade, o mais fiel vigia da sublime Mãe Natureza, o Curupira, preparou-se para mais uma missão sob a luz da lua mais cheia que se viu na floresta amazônica, desde que nossa Terra é Terra.

Texto para a oficina de lendas brasileiras da Foire Internationale de Clermont-Cournon, em Auvergne. Será traduzido pelos alunos da Université Blaise-Pascal.

Inspirado na versão do Juro que Vi (vídeo abaixo).


17.6.11

=letras data crônica=

data crônica - felipe schuery
(2009)

1. pico intranet
2. contranada
3. oba, info!
4. fundo da caixa
5. dentro da tela
6. tantos
7. conglomerado americano de entretenimento
8. número de série
9. sabor hortelã
10. hora de vomitar
11. anzol
12. mais um pouco mais
13. pílulas, drágeas, comprimidos
14. cem/sem


1. pico intranet
(felipe schuery)

player one/pow, pow, zigue-zague, bope, beco, bangue-bangue/midi funk em game vip/chuto a porta, atiro, vai, aumenta o som/zapeei, plim, plim, intervalo, tic tac nobre, money money boom/bling blong trim trom bip/esse toque é meu? é seu? é de quem?/por que desligar?/tomada é veia/por que desligar?/é pico intranet/me ligar...

2. contranada
(felipe schuery)

bolo no forno/tem folha de sonhos/aluguei 2001/comprei colchonetes/equipei o som/dentro do mundo/país, cidade/bairro, prédio, sala e tela/cabeça no espaço/que a moldura (não?) enquadrou/caixa-crânio sem xyz/fim do alfabeto/contranada em mim

3. oba, info!
(felipe schuery)

missionários da pancadaria vêm/apresentações do kung-fu zen/deu na tela grande virou cult/culto à informação, nosso banquete/info pop cult net banquete/info pop cult net banquete/matias convidou (oba, info!)/hoje tem jantar (oba, info!)/teoria mashup menu/making of kung fu/urbe convidou (oba, info!)/hoje tem jantar (oba, info!)/no menu, charo, jererê/dub, doc, bbc

4. fundo da caixa
(felipe schuery)

fulana disfarça viaja, descansa da fama/um pouco de paz/...espoca o flash!/acaba na banca ampliada na capa de apelo pop/paga no caixa, leva pra rua, pôster de bar/sala de espera, recreio da turma/fôrro do armário, escritório, empresário/confira no fundo da caixa a data indicada de validade/confira no fundo da caixa a data indicada de validade

5. dentro da tela
(felipe schuery)

epilepsia vendo pikachu/102 horas online/soube que morreu um sudanês gigante/tropeçou, caiu/dentro da tela/dentro da tela/topless na praia, digital filmou/vídeo pra punheta online/pobre da mocinha que bebeu demais/se despiu, caiu/dentro da tela/dentro da tela/1011 001 01 011 01/depois não diga que eu não avisei...

6. tantos
(felipe schuery)

disseram que é bom partir/eu li que é melhor ficar/o telejornal diz que basta voar/tarólogos estão em dúvida/tem site que desmente tudo/índios, com fumaça, mostram como é fácil/quem mais pode me socorrer?/quem vou escutar, visto que são tantos?

7. conglomerado americano de entretenimento
(felipe schuery)

grandes corporações são poucas/cada vez menos, cada vez maiores/a farmácia ali da esquina foi comprada/pela empresa de tecidos lá da china/e ela faz parte/de um conglomerado americano de entretenimento/o jornal esconde/que os remédios estão podres/o jornal esconde/os escravos tecelões/o jornal esconde/que as ordens vêm de longe/o jornal esconde, o jornal esconde (what about these news?)/supergigantemegamaxiultra/hiper turnês com produção de deus/o estádio centenário foi abaixo/pra que fosse construída a igreja pop/ e ela faz parte/de um conglomerado americano de entretenimento/o jornal esconde/que calaram gente a bala/o jornal esconde/a propina do pastor/o jornal esconde/que as ordens vêm de longe/o jornal esconde, o jornal esconde (what about these news?)

8. número de série
(felipe schuery)

se afogou em números/da boca escorria uma parte do rg/expeliu as senhas somente depois que o socorro chegou/subtraindo, dividindo e apagando/aplicando equações, descobrindo pis/pasep/cpf, agência, conta, inscrição/telefones de casa, do escritório/celular do chofer e da amante.../aí armou-se o banzé/e a mulher gritou no pé do ouvido do marido/o número de série do revólver que estava na gaveta

9. sabor hortelã
(felipe schuery)

prazer maior que ouvir o novo cd que saiu/é gozar com as preliminares/consumir informação de todo o processo anterior/a expectativa é fantasia sabor hortelã/o fato em si quando acaba é falta/busca-se um novo objeto, suporte pra mais o que falar/angustiado com o excesso/não consegue botar mais nada pra escutar

10. hora de vomitar
(felipe schuery)

hora de vomitar info da manhã/hora de vomitar info da manhã/hora de vomitar info, info/4 x 2, golaço, aumentaram a passagem/greve em praga, chuva forte, mega sena/04 09 21 34 51 54/hora de vomitar info da tarde/hora de vomitar info da tarde/hora de vomitar info, info/maquinário está quebrado/prazo já passou e nada/tem um erro de projeto/volta tudo, quem ligou, quem faltou, quem vacilou/hora de vomitar info da noite/hora de vomitar info da noite/hora de vomitar info, info/no telejornal, desgraça/primo vem passar uns dias/prestação vencida... sim, te amo/deita aqui, vem sonhar com a hora de vomitar info/hora de vomitar info, info

11. anzol
(felipe schuery)

ei, filho/não é religião/é lixo cultural, cinismo/quimera dura de engolir/receita pra atrair carente/é engodo em anzol/livro que cheira mal/ei, pai/se é pra me confortar/eu topo até tomar chorume/pago e levo a minha paz/remédio pra tirar carência/mordo engodo em anzol/fungo o que cheira mal

12. mais um pouco mais
(felipe schuery)

sempre um pouco mais um pouco mais um pouco/um pouco mais um pouco mais/sempre um pouco mais um pouco mais um pouco/um pouco mais um pouco mais/e ver que cada vez mais/falta um pouco mais um pouco mais/e ver que sempre haverá uma fonte nova pra beber...

13. pílulas, drágeas, comprimidos
(felipe schuery)

por favor, encurta o romance/quero séries, não quero filmes/bastam as manchetes dos jornais/contra o disco pela canção/pílulas, drágeas, comprimidos/vim dar um alô, não vou demorar/o nome do ano, quem é? passou/e agora, quem é? passou/e agora, quem passou?

14. cem/sem
(felipe schuery)

cem (sem) melhores lugares pra ir/cem (sem) mulheres bonitas pra dormir/cem (sem) igrejas pra rezar melhor/cem (sem) mirantes pra ver o sol se pôr/cem (sem) praias pra se bronzear/cem (sem) canções pra te conquistar/cem (sem) dicas pra nunca sofrer/sem espaço/sem tempo/pra viver/sempre que a gente tenta marcar de se encontrar/você fica de ir lá em casa/eu fico de te ligar/cem (sem) contos de mitos e lendas/cem (sem) discos de grupos com c/cem (sem) jogos de computador/cem (sem) vinhos de uva merlot/cem (sem) datas pra comemorar/cem (sem) frases pra te impressionar/cem (sem) nomes pra pôr no bebê/sem espaço/sem tempo/pra viver/sempre que a gente tenta marcar de se encontrar/você fica de ir lá em casa/eu fico de te ligar

21.3.11

="casal de velhos", lasciva lula=

Filmei numa tarde livre em Paris, dia seguinte do show do Pavement no Zenith. Um ano depois juntei tudo nessa edição fuleira aqui:

22.12.10

=o poeta na tela=



Manuel Bandeira comenta, no Jornal do Brasil de 15 de novembro de 1959, a exibição de "O poeta do castelo":

"Senti-me devassado na tarde de anteontem, e de noite não dormi bem, a minha própria imagem me perseguia. Fiquei também bastante vaidoso, meio compenetrado de que tenho um enorme talento para ator e de que Hollywood não sabe o que está perdendo na sua ignorância da minha existência."



E o diretor Joaquim Pedro de Andrade conta como foi filmar o poeta:

O POETA FILMADO
Suplemento literário do Diário de Notícias de 17 de abril de 1966

Há seis anos atrás, cercado de refletores, cabos, trilhos e uma equipe de filmagem que se mexia nervosamente em seu pequeno apartamento, Manuel Bandeira descobriu que era um bom ator. A sua risada alegre e inesperada, comemorando o primeiro take do filme O Poeta do Castelo, foi para mim a mesma e boa surpresa que desde menino eu ouvia quando menos esperava.

Sou afilhado e amigo de Manuel Bandeira. Às quartas-feiras, ele vinha jantar com meu pai (Rodrigo Melo Franco de Andrade) e falava de tudo. Me lembro bem das noites em que ele se indignava, contando alguma coisa que o tivesse irritado e agitava-se impulsivo, violento, para de repente achar graça na própria fúria e na história que estava contando. Vinha então aquela risada alegre que eu quis pôr no filme e acabou resultando na única cena que o ator Manuel Bandeira teve dificuldade de fazer.

O telefone tocava, na sua mesa de cabeceira. Manuel atendia e quando reconhecia a voz de um amigo dava a tal risada. A partir dessa alegria, segundo o roteiro, é que o poeta tomava impulso para ascensão a Pasárgada, no fim do filme. Fizemos um ensaio. Manuel riu sem vontade. No segundo e terceiro ensaios o ator se irritava cada vez mais, quando ria. Experimentamos então o estímulo real. Manuel telefonou a um amigo, Dante Milano, se não me engano, para pedir que ele lhe telefonasse de volta. Mas o Dante não estava. Quando começamos a procurar outro amigo, no caderninho de telefones do poeta, ele perdeu a paciência. Mandou rodar a câmera, atendeu o telefone que não tinha tocado, perguntou quem estava falando e ao ouvir a risada imaginária deu a risada, mais alegre e espontânea do que nunca. Guardo mágoa, até hoje, porque a campainha do telefone continuou tocando, no filme, mesmo depois do poeta ter tirado o fone do gancho. A culpa foi do montador Baldacconi, que num momento de mau humor resolveu me hostilizar dessa maneira insólita.

Se eu pudesse hoje fazer outro filme sobre Manuel Bandeira, não lhe pediria como fiz antes para que representasse o seu personagem diante da câmera como se ela não existisse. A técnica do cinema direto, desenvolvida recentemente, pôs bem a descoberto o artificialismo desse processo usado nos documentários posados tradicionais. Mesmo assim e ainda agora, acho que os dados da composição do filme, talvez por serem tão aparentes e declarados, funcionam como a proposição de um jogo, como na obra de ficção, e armam um processo eficiente para apreender e, transmitir uma impressão verdadeira, ou pelo menos sincera, sobre o poeta filmado.

Sensível a esses problemas, Manuel Bandeira informou a grande número de pessoas que a operação da compra do leite, realizada várias vezes por semana, não tinha nada da pungência com que aparecia no filme. Era, para ele, uma ação desprovida de emocionalismo. E que nesse caso, como em outros episódios filmados, a verdade imediata, realista, foi substituída pela verdade de uma representação, de uma visão interpretativa, tão legitimamente como na subida ao céu que o poeta pratica em vida, no fim do filme. Por esse processo, o roteiro pretendia comprimir na manhã cotidiana do poeta a representação de sua vida.

Quando tive a idéia do filme, pedi a Manuel Bandeira que escrevesse um esboço de roteiro aproveitando tudo que ele costumava fazer de manhã, num dia comum. Manuel começou assim: “B. está dormindo. De repente se mexe e acorda. Estende a mão, apanha o relógio-pulseira na mesinha ao lado, vê que já são 7 horas – tempo de se levantar. Senta-se na cama, passa a mão na cabeça, fica alguns segundos pensativo. Afinal ergue-se, veste o roupão, caminha para o balcão, escancara a janela”. E acabou assim: “B. aproxima-se, da banca dos jornais, compra o Correio da Manhã e afasta-se pela avenida Presidente Wilson, lendo a folha”.

Naquela altura eu ainda não conhecia a força do ator e tive medo de abrir o filme com o despertar do poeta. Acho que não há nada mais difícil para um ator do que uma cena em que ele está dormindo e acorda, ou uma cena em que ele boceja. Por isso comecei o filme já com o poeta acordado, o que, como precaução, se revelou afinal desnecessário. Estou hoje convencido de que Manuel tem o material de um excelente ator, capaz até mesmo de acordar e bocejar com a maior naturalidade, mas, antes de mim, ele próprio demonstrou que tinha confiança e disposição na sua capacidade de representar, sugerindo aquela cena de abertura. Os bons atores têm dons especiais que a escola ou o trabalho podem desenvolver mas não podem criar. Com o filme, ficou evidente que o poeta também é um excelente ator, que só por acaso, ou pela força de suas outras vocações, não se profissionalizou. A alegação de que ele levou vantagem porque conhecia muito bem o seu personagem e tinha o physique du rôle não desmerece o seu trabalho, ao contrário do que querem alguns, já que esses são apenas elementos necessários, básicos, a partir dos quais o ator começa a sua criação.

Em O Poeta do Castelo, Manuel Bandeira, apesar de amador, comportou-se com o rigor e a disciplina dos melhores profissionais. Que eu me lembre, só umas três vezes ele perdeu a paciência. Na seqüência do pátio, por exemplo, quando um grande número de lixeiros apareceu de repente, já no fim da filmagem, e começou a limpar a sujeira habitual e essencial ao cenário, apesar dos nossos protestos. Ficamos ameaçados de ter que filmar tudo de novo, e o poeta não aceitou bem essa solução. Resolvemos o problema conseguindo que os lixeiros nos deixassem terminar a seqüência para então serem filmados no ato de limpar o pátio. Em geral, só nas cenas de rua, quando os populares se punham à espera conosco de que o sol aparecesse ou desaparecesse, é que o poeta parecia silenciosamente arrependido.

Quando filmávamos dentro do seu apartamento havia mais serenidade. Santa Rita dos Impossíveis, a estatuazinha de gesso quebrada, dadas as referências de vida e de poesia espalhadas pelo apartamento aparecem no filme e sobreviveram incólumes aos deslocamentos de câmera e refletores.

Por querer bem ao poeta, fiquei gostando do filme. Acho que o personagem resistiu bem às possibilidades do diretor, que, hoje, reconsiderando o que fez, deixaria que o poeta se afastasse da Avenida Presidente Wilson, no fim do filme lendo o seu jornal.

Fonte: www.filmesdoserro.com.br

=o poeta do castelo=



O POETA DO CASTELO
por João Moreira Salles

O poeta do Castelo, um documentário de apenas dez minutos, é um dos segredos mais bem guardados do cinema brasileiro. Pena. Aos 27 anos de idade, logo no seu primeiro ano como diretor, Joaquim Pedro nos deu uma jóia. Trata-se de um filme tão simples quanto belo. Um senhor em trajes singelos sai para a rua deserta com uma garrafa vazia de leite na mão. Chega na mercearia e a entrega ao rapaz do balcão. Espera. Recebe de volta uma garrafa cheia e com ela retorna para casa — um homem só pela cidade, visto em plano aberto e distante, a câmera posicionada no alto de um prédio. Chega em casa, esquenta o leite, coa o café e faz torradas. O poeta Manuel Bandeira está prestes a tomar o seu café da manhã.

O filme é isso – só isso. O poeta não faz discursos, não nos ensina o sentido da vida, nem mesmo o da literatura. Atravessa uma manhã, apenas. Entre um gole e outro de café, olha pela janela (provavelmente sem vista, pelo que nos foi mostrado da vizinhança), pensa. Busca um livro, veste um pijama. Deita-se na cama, puxa uma mesa de hospital sobre a qual está uma máquina de escrever e escreve. Logo adiante, sai, não sem antes calçar meia e sapato. Os dedos do pé de Manuel Bandeira são nodosos e secos. A mim, lembram um poema de seu conterrâneo João Cabral. Se é que o adjetivo cabe, são pés franciscanos, tão despojados quanto o quarto onde ele está e o filme que o retrata. Ainda em casa, a voz de Bandeira recita o poema “Testamento”:

Criou-me desde eu menino,
Para arquiteto meu pai.
Foi-se-me um dia a saúde...
Fiz-me arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!

Como um filme tão simples consegue ser tão tocante? Suponho que cada amante de O poeta do Castelo encontre as suas razões. De modo geral, à margem de qualquer digressão, bastaria dizer que o filme é intransitivamente belo, assim como uma árvore, ou certos prédios. Pessoalmente, duas coisas me fazem gostar tanto deste filme. Em primeiro lugar, a fé que demonstra na beleza sempre discreta dos pequenos gestos do dia-a-dia. Como um pintor holandês, Joaquim Pedro tem grande carinho pelo cotidiano. Garrafas, telefone, coador — cada objeto recebe atenção, o que não deixa de ser um juízo ético: nada, nem mesmo uma garrafa de leite vazia, merece desinteresse. O cuidado com que Bandeira busca sua xícara, guardada dentro de uma queijeira de vidro como se fosse um objeto precioso, é comovente porque revela exatamente isto: desvelo.

A segunda razão é o fato de esse cotidiano prosaico pertencer a um poeta como Bandeira. Há uma adequação absoluta nesse par. Um filme dessa natureza não serviria a um poeta de vida exaltada como Oswald de Andrade – seria falso — e muito menos a um poeta parnasiano, de palavras buscadas e construções preciosas. Mas para Bandeira é perfeito. Bandeira foi um dos poetas que trouxeram a poesia para perto, inspirando-se nas moças do sabonete Araxá, nas manchetes dos jornais e no porquinho-da-índia que ganhou de presente quando era criança. O mundo das coisas simples é o mundo em que ele se sente melhor. É o seu mundo correto.

Em determinado momento, Bandeira pega um dicionário e o consulta. É uma boa cena, um pequeno comentário sobre o poeta. A poesia não brota espontânea em seu espírito. Exige trabalho e esforço. Bandeira também precisa de dicionários. Joaquim Pedro não está negando a excepcionalidade do poeta. Isso seria baixo populismo – afinal, pouquíssimos de nós se comparam a Manuel Bandeira. Joaquim Pedro está dizendo outra coisa: que o poeta, como qualquer um, trabalha. Na aceitação de uma lida cotidiana e sem alarde, Bandeira é um homem como os outros.

O diretor e dramaturgo Domingos de Oliveira teve sua primeira experiência profissional no cinema com O poeta do Castelo. Foi assistente de direção de Joaquim Pedro. Hoje, passados quarenta anos, Domingos se recorda de um grupo de jovens — Joaquim Pedro tinha apenas 27 anos, e ele, 23 - maravilhosamente espantados diante da dupla responsabilidade de fazer jus não só ao poeta, mas também ao cinema, que todos descobriam naquele momento:

“As filmagens em si eram uma missa. Como era importante filmar! O enquadramento sagrado, milimetricamente definido, a la Bresson, que Joaquim amava. E o poeta, sendo padrinho do cineasta, comportava-se pacientissimamente... o poeta exalava humanidade, experiência de vida naquele apartamento mínimo de homem sozinho, onde ficávamos o dia inteiro. Tudo era muito lento. Não a lentidão da incompetência ou da preguiça e sim aquela da responsabilidade do ato de filmar, da busca obrigatória da perfeição...”.

No final de O poeta do Castelo, Bandeira sai para a rua e caminha pela avenida Presidente Wilson, no bairro do Castelo, em direção à Academia Brasileira de Letras. Sua voz em off recita “Vou-me embora pra Pasárgada”. À medida que ele avança, o Rio de Janeiro da década de 1950 corre pela tela. A elegância quieta do passeio, o brio dos prédios, a sombra confortável das grandes amendoeiras, o modernismo de Le Corbusier e de Lúcio Costa logo adiante, tudo sugere que no Rio já se planejou uma civilização — ou pelo menos foi assim que pensei quando assisti ao documentário pela primeira vez, no início da década de 1990. Aos meus olhos, aquela cidade que não conheci parecia caber na utopia que o poeta recitava.

Só recentemente, ao ler as lembranças que Domingos me enviou sobre o filme, descobri que aquilo que me parecia tão bom já era tristeza para Manuel Bandeira:

“Um dia a equipe se atrasou, por algum motivo, e fiquei sozinho com o Bandeira por algumas dezenas de minutos. Em frente ao Ministério da Educação, esperando. Foi terrível. Eu não me atrevia a falar e não me parecia certo ficar em silêncio. Mas assim mesmo o silêncio se impôs durante minutos, ali, em meio ao trânsito, e então o poeta falou. Me disse: 'Esse mundo aqui não é mais o meu. Tudo está muito diferente. As ruas estão todas diferentes. No meu tempo o Ministério não existia... As pessoas também. A maior parte das pessoas que eu conheci já estão mortas. Esse mundo não é mais meu'."

1.9.10

=pixies x piranhas=

Dá uma olhada na camisa do camarada aí de Piranhas 3D:



DEATH TO PIXIES

wave of mutilation
(black francis)

cease to resist, giving my goodbye
drive my car into the ocean
you'll think i'm dead, but i sail away
on a wave of mutilation
a wave
wave

i've kissed mermaids, rode the el nino
walked the sand with the crustaceans
could find my way to mariana
on a wave of mutilation
wave of mutilation
wave of mutilation
wave

wave of mutilation
wave







E de Piranhas 3D para Pierrot le Fou, do Godard. Que beleza.

17.8.10

=ben l'oncle soul=

O Ben l'Oncle Soul é aqui de Tours. Segura o swing do francês.

Entrevista (Seven Nation Army ao fundo)



Soulman

19.6.10

=copa do mundo, patriotismo, identidade nacional=

Na incapacidade de escrever um texto sobre, vai um samba. É uma colcha de retalhos de 7 minutos, um amontoado de referências da música popular brasileira: João Gilberto, Zeca Pagodinho, Tom Jobim, Benito de Paula, João Bosco, Jorge Ben, sambas-enredo clássicos, Chico Buarque, Molejo, João Nogueira, Gilberto Gil e outros.





achados e perdidos
(felipe schuery)

uma identidade foi achada nas areias da praia de copacabana após mais um reveillón com baixa estatística de crimes registrados nas dps/carimbado estava: mestiço, e, na foto 3x4, um retrato do brasil/o grupo que encontrou o documento o entregou ressabiado nas mãos do delegado que assistia a um videotape com os melhores momentos da seleção canarinho em amistosos contra o chile/a reportagem do jornal de bairro destacou gilberto freire, sérgio buarque de hollanda, antonio cândido, celso furtado, darcy ribeiro, entre outros do grupo/que estourou garrafas de champanhe antes e depois da boa ação/ao fim do videotape, o delegado primeiro ligou a cobrar para o acre e desejou um próspero ano-novo aos avós que moravam lá/depois, por puro passatempo, levantou o histórico do cidadão via ifp/fez um cafezinho, acendeu um cigarro, abaixou a tv/encontrou pouco sobre situações em que o elemento batia no peito para revelar sua identidade/e por “pouco” entenda bola no pé, medalha no peito, taça na mão/muito havia sobre pouco-caso e incerteza sobre as próprias atitudes/feito cão vira-lata procurando dono, querendo colo, matilha, raça/(e carimbado lá estava: mestiço)/olhava o vizinho com curiosidade: argentino bate panela, cultiva os ídolos, canta tango/por una cabeza.../olhava o próprio umbigo com incredulidade: brasileiro deixa estar, a vida leva, dança samba/sem idolatria, malandro/bater no peito, vestir camisa, mostrar bandeira traziam nhaca ufanista dos anos de chumbo/atestado de apoio ao governo e alienado à corrupção/confusões de ben com patropi, ivan lins com “meu país”/bandeira serve para enfeitar varanda e carro em dias de copa do mundo/o cidadão, de quatro em quatro anos, tira a dele da gaveta para cantar o virundum e se emocionar/o delegado desconfia que algum dia, em algum lugar, tenha havido certo alívio pelo fato de a capital tupiniquim ter se mudado para um deserto/longe demais dos grandes centros/a panela de pressão esfria, a gente esquece e tudo segue em frente/deixa a vida me levar/espero sua visita, meu amigo charlie brown/na linda manhã do ano novo que nasce, tudo continua de maneira cordial/nas areias das praias, bolsas foram achadas/ muitas identidades foram deixadas para trás/ várias foram roubadas/outras o mar apagou/nunca houve queixa alguma/brasil tanto faz

Música feita originalmente para o projeto Música Artesanal

2.4.10

=joão gilberto passando som=

Para vocês começarem bem o feriado, olhem que coisa maravilhosa o João passando o som no Teatro Castro Alves, na Bahia, em 1978, e, dentro da sua mágica obsessão com a qualidade, mandando pérolas como:

- "Nhé, nhé, nhé não é esse o som!"
- "Olarião, o som é bom, eu sei, tem qualidade, mas..."
- "Não quer mudar um pouquinho a posição das caixas? Uma movidazinha já pode dar uma situação."
- "Olarinha, um outro microfone também... isso funciona à beça"
- "Eu não tô dizendo que seja ruim, não, mas... de acordo com o TUDO..."
- "Gostei da voz aí, deixa aí! conserve isso por favor..."

Para logo depois:

- "Pode ser um pouquinho de grave na voz... sem deixar embolar..."

Rala, Olarião! E a Miucha sempre lá, firme e forte ao lado do então marido.



"É só no samba que eu sinto prazer... a voz está boaaaa!"



- "O violão que eu pedi não veio, né... Era pra provar... É outro balanço... tocar com esse... ó, os dedos, é brincadeira... marca mesmo."
- "Heloisa, os comecíssimos das palavras. Pra 'Já' não ser só 'a'"
- "Olarinha, grave, marque os números aí, viu? Marque os números, guitarra e violão, baixo, tudo o que for de número, num papelzinho assim..."



- "Oladian, você marcou aí? Tudo, Salomão? Eu vou cantar uma canção para ver se funciona também nesse sistema..."

E quando tudo parecia nos eixos...

- "Venha cá, Salomão,você subiu um pouquinho o volume, não foi? Eu senti qualquer coisa assim. Dentro desse pouquinho que você aumentou, deixa eu fazer mais uma música... 'Triste é viver na solidão...'"



Dica do Mauricio Coutinho

30.8.09

=número de série, live at Hampstead Heath=



número de série
(felipe schuery)

se afogou em números/da boca escorria uma parte do rg/expeliu as senhas somente depois que o socorro chegou/subtraindo, dividindo e apagando/aplicando equações, descobrindo pis/pasep/cpf, agência, conta, inscrição/telefones de casa, do escritório/celular do chofer e da amante.../aí armou-se o banzé/e a mulher gritou no pé do ouvido do marido/o número de série do revólver que estava na gaveta